Chegando tarde da noite, deixa as sacolas da loja sobre a mesa da cozinha, o cômodo de entrada do apartamento, e vai para o chuveiro. Pedro aparece no banheiro, começa a urinar e pergunta o motivo da demora em resposta ao cumprimento cansado de Marcos: _Estava comprando um casaco, o frio se aproxima, e uns óculos que encontrei na promoção, nada demais, só para me fazerem mais felizes (Ri). _ Quanto custou? . _Cento e vinte. _ Quanto custou cada item? . _ Meio a meio. _ Cadê?. _ Na mesa da cozinha. _ Já volto.
Enquanto Pedro se veste, no quarto, Marcos volta dizendo: _ É isso? Casaco amarelo e óculos... _ Tartaruga. _Tartaruga? Porra ein. _ Tudo bem, não precisa continuar, até quando vai continuar me criticando por bobagem? _ Está louco? Só não temos os mesmos gostos, normal, ué. _ E é por isso que não te mostro as roupas que compro, ou as músicas que descubro, Pedro. _ Se for me chamar de Pedro melhor não chamar de porra nenhuma. Que personalidade que não se incomoda com qualquer bosta que aparece?. _ É suficiente por hoje, agora não tenho personalidade, sou brega e ouço música ruim, adoro ser admirado pelo meu namorado, vá dormir com seus pensamentos. _ Em momento algum falei que você não tem personalidade, se achasse isso não estaria com você, não coloque palavras em minha boca. _ Então também sou burro ao ponto de não entender declarações óbvias. _ Eu falei que você cria briga por qualquer coisa, só isso. _ E eu estou falando que preciso pagar contas na internet e fazer um trabalho da faculdade, porque a gente precisa encher a cabeça dessas coisas para não sofrer com nossas insanidades. _Então, namore com o vento, cara!. _ Quando eu me tornar vento, talvez, mas por enquanto, infelizmente, continuo gente, brigo, transo e pago contas.
Pedro liga o som, uma música
romântica que remete ao início do namoro. Marcos se incomoda, prefere brigas
que lágrimas de resignação. Adormece enquanto o namorado meche no computador.
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