eixo do trapezista funâmbulo
faíscas insones de filigranas engrenagens do tempo
drenagens da alma
ossos, ensaios
desmaios
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Reminiscências
Indívíduo-ventana com toldos de couraça aos olhos, interdito por supertições urbanas entremeadas em trejeitos no cavo apático âmago hodierno. Percorre obliquamente por seu latrocínio sem decreto nem pena, disperso no vácuo da igenuidade que o condena, observado e despercebido por todos.Adormece, a madeira envelhece o tempo, tingido sépia, seu aposento desmistificado e infecundo iluminado por lamparinas engambiarradas e incrustradas por tábuas empenadas. Enredado aos limites impercebidos por turbidez langorosa. Alguém o acorda num bocejo indolente, trocadilhos silenciosos, nebulosos, fabulosos, reconhecimento despretensioso e companheiro. Incompreende aproximação qualquer, seu estoicismo não acredita sequer em crianças. Levanta-se, olha para sua frente, em um passo atravessa o quarto, sentindo-se só mas observado por trás de uma barreira de madeira que se desfaz a altura de seu peito. Cego em seus próprios atos, atea fogo em sua alma, indolor e inerte. Mutilou-se, titubea entre escombros de si, o peso insustentável desapareceu-lhe entre uma alegoria sonsa, seguidora de sapatos que não calçam seus pés, nu entre o frio e calor que o camufla despretensiosamente por seu caminhar irrefutável, jaz sobre pernas fracas num ar insensível ao próprio cansaço. As palavras já não prolongam a imperscrutável estadia ou modo de estar deste que ainda mais desconhece a si. Aproxima-se aquele outro que entrou por uma brecha em seu recinto, intrépido, lascivo, põe-se ao seu lado, observa-o. Conta que ele está a fixar reminiscências na superfície amadeirada, são imagens, escritos em papel, objetos, nomes de diversas pessoas passageiras que o apearam por seu tempo, que circularam sua infância em uma sequencia infinda e incompreendida de sentimentos que o afogaram quando teve seu ombro tocado por aquela pessoa que pode ser sentida, agora, em um estirão de ar que estancou-lhe o sangue. Traçado e condenado à sofreguidão de conviver neste quarto em explosão cega de luz por memórias fratricidas, costurou as palpebras à couriça, arrodeou em passoas fúnebres um bosque próximo, escreveu um poema, adormeceu.
Imagem de Arthur Monteiro e Isabela Lyrio, de Brasília
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Objetos me rodeiam e me confudem a mente,
ResponderExcluirpessoas passam e despassam na minha frente
Luz bruxuleante, objetos antigos
ars longa, vita brevis
Requiem in pax, te deum laudamus, te dominum confitemur, te a eternum patrem, et lux perpetua, etc
Observar ao redor e ser invisível
Tecer a vida e ser quase imperceptível
É um paradoxo tácito, taciturno e incrível
Adormecer, amortecer, a dor e amor tecer
Enlouquecer, esquecer, espairecer
Crescer e aparecer, sem ser
Chama engana, outra trama, outro poema
Chame o teorema e esbofeteie-lhe a cara
Cotidiano, dia estranho, que alguém encara
Cara a cara, tête-a-tête
Pas de deux, coup de ballet, au rez de chaussée, ménage à trois
Blablabla
Presto agitato, allegro con brio
As palavras já não me cabem mais