eixo do trapezista funâmbulo
faíscas insones de filigranas
engrenagens do tempo
drenagens da alma
ossos, ensaios
desmaios

domingo, 27 de outubro de 2013

Exílio astronômico

Diz que faço parte de sua despedida, do cenário construído junto ao suor dos ensaios de prosa e poesia, amor e tragédia, tecidos a fio por fractais frios. Ah, pois sou parte ausente, deslocada. Sou um assento vazio entre as luzes da ribalta do seu palco pétreo. E lá se vai o domingo infausto de céus e diabos desfalecidos. Pobre dia, pudera ao menos enternecer-se para admoestar o desvanecimento. Foi esvaziado de sentimento, desacreditado de pensamento, entediado de comportamento e  por fim se perdeu de tudo que é humano. Domingo quântico, exílio astronômico. Pobre aquele que insiste burramente nos argumentos fragilizados; suspira filosofia e se afoga na maiêutica do próprio ego; critica a verdade dos homens e se desfaz nas mentiras dos outros. São todos uma mesma extensão de gente, que não se distingue, que não se extingue, que me afugenta. Fazem de mim um bicho selvagem que balbucia solipsismos, um fim sem propósito. 

6 comentários:

  1. "Fazem de nós lobos e lobas da Estepe."
    Abraços, Trapezista.
    Da amiga
    Frilaba Borboleta, codinome a vésper lânguida.

    ResponderExcluir
  2. Exato, fazem de nós lobos e lobas da estepe...

    ResponderExcluir
  3. e borboletas e gafanhotos, fadas e duendes de nossos sonhos, quimeras, desejos e fantasias.
    para o Gafauno,
    da amiga Frilaba.

    ResponderExcluir
  4. Lindo texto. Intenso, conciso, humano. Sempre bom te ler.

    ResponderExcluir
  5. vocês são muito especiais, obrigado pela companhia!

    ResponderExcluir