Conto-comentário, para frílaba.
Entreviu a trépida borboleta um príncipe no orvalho. Reluziu multicor em arco a íris dos olhos de amor. Regozijou-se subitamente aquela de sempre aborrecida. As tênues asas tremeluziram ao nascer do novo sol. Ao contorno claro mostrou-se avulso o escaravelho. Como podes me roubar o coração este carapaça seca? Contudo, naquelas costas estava encrustada uma maçã podre.E ela logo soube da maldade que acometeram ao sujeito. Sugou o açúcar e com ajuda das formigas retirou a fruta. Assim, o príncipe agradecido a nomeou honrosa princesa. Não queria casar-se com um ser tão duro e soturno, mas havia as cores que refletia e o reino que oferecia. Substituir a solidão por muita distração e nobres regalias, sim. Mas horrorizada com a exigência dos cascudos a borboleta fugiu. Não perderia suas asas em troca de príncipe algum. Naturalmente, envelheceu,e as asas, enfraquecidas, descoloridas, ao chão. Voltou ao escaravelho enraivecida, arremessou-lhe com ajuda das formigas, uma maçã carcomida. Ele não resistiu e feneceu. A irmã do príncipe assumiu o nicho e apaixonou-se pela assassina do irmão. Passaram o resto da vida discutindo sobre ética e filosofando sobre formigas.
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