eixo do trapezista funâmbulo
faíscas insones de filigranas
engrenagens do tempo
drenagens da alma
ossos, ensaios
desmaios

sexta-feira, 5 de março de 2010

De rios que há tempo molharam pernas que já não caminham em mim,
I - mesmo
Angústia do meu silêncio
se revela na penumbra de minha insônia
a ansiedade em minha fome
num pesadelo acordado na escuridão da vida

Meu estar trevoroso
clarão patético de idéias
melindrosos e tontos são os dias
lânguido fado e lamento

Ao que já foi percebe-mo enganado
rebusco-me ao ódio pela vida de outrora
coloco-me esquivo ao medir o tempo
ludibriado por uma lágrima que evapora

II - outro
Ao ensejo inconsciente
crio vislumbre de vida e vejo
e por medo de descobrir a ilusão desse anseio
vôo baixo para longe de mim

e aqui agora já não são só meus esses olhos
o grafite se gasta em papel de nós
escrevo intrépido ao teu contorno
queimo a retina e grito sufocado

"Ah, rancor mortal!"
A que escute e me tenha levando pra longe de mim e perto do amor...

Um comentário:

  1. "A que escute e me tenha levando pra longe de mim e perto do amor..."

    Lindo, lindo e lindo.

    Para mim, um verdadeiro escritor.

    Te amo.

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